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Inovar no Enoturismo – Parte 1 (Norte)

No tradicional mês de férias, Ildefonso Martins aborda a inovação, e a transformação no Enoturismo em Portugal. Nesta primeira parte, o autor visa a oferta a norte, prometendo na "2ª mão" olhar para o resto do território.

Agosto é, por tradição, “o” mês nacional de férias, o período máximo do lazer, do turismo. É por isso também o mês mais apropriado para um artigo dedicado ao Enoturismo, neste caso com uma visão focada essencialmente na inovação.

Por ser um tema extenso o artigo desta edição de agosto será dedicado em exclusivo à região Norte de Portugal. No próximo mês serão abrangidas as outras regiões do país. A década de 2010 – 2019 foi, sem dúvida alguma, o apogeu do turismo em Portugal.

Nunca o nosso país recebeu tantos turistas, nem nunca fomos tantas vezes premiados nos concursos internacionais como principal destino turístico.

E o setor vinícola soube também tirar partido deste crescimento do turismo em Portugal, para fazer do turismo orientado para os vinhos uma realidade com cada vez maior impacto nas empresas e no país.

Uma demonstração desse crescimento da atividade “Enoturística” no nosso país foi a formação em 2020 da APENO (Associação Portuguesa de Enoturismo), que juntou desde a sua fundação dezenas de associados de empresas do setor.

Um dos desafios que a APENO elencou no seu lançamento foi o de fazer uma fotografia do panorama do Enoturismo em Portugal. Este desafio englobava, entre outras coisas, identificar a oferta disponível no país e perceber o perfil e as necessidades do Enoturista que nos visita, pois a informação sobre esta atividade a um nível macro é relativamente escassa.

Não deixa de ser um facto curioso que a Associação Portuguesa de Enoturismo tenha surgido precisamente em ano de pandemia, que como sabemos trouxe vários desafios para o Turismo a nível mundial, sendo Portugal um dos países mais afetados, pois era também daqueles cujo PIB mais dependia desta atividade.

Com todas as restrições de funcionamento que a COVID 19 criou aos estabelecimentos, o ano de 2020 nunca poderia ter sido positivo para o Enoturismo.

No entanto, não terá sido um ano desperdiçado, pois, como sempre provam ser estas alturas de incertezas, também o ano que passou foi uma altura para refletir em novos formatos e em novas propostas para servir o Enoturista.

No caso da Aveleda, em 2021 surgimos com novos programas para os visitantes, como as noites de Verão, que prometem animar os últimos sábados de cada mês de junho a setembro, com eventos temáticos.

Mas a grande novidade na oferta do Enoturismo da empresa, foi o lançamento do Aveleda Escape Garden. Trata-se do primeiro jogo de escape a nível mundial a ser realizado ao ar livre numa empresa de vinhos, onde os jardins da Quinta da Aveleda (vencedores do prémio Best of Wine Tourism para “Arquitetura, Parques e Jardins” em 2011) são o cenário ideal para a aventura.

Outro caso de perseverança perante os tempos adversos para o turismo, foi a iniciativa da The Fladgate Partnership, com a inauguração o ano passado do World of Wine (WOW).

Um dos maiores investimentos do sector de Enoturismo no nosso país, pode também ser entendido como uma homenagem a Portugal pelo seu papel de um dos principais produtores de vinho no mundo. Se o risco o ano passado já terá sido grande, é de enaltecer a aposta continuada no formato, com o lançamento este ano de um novo museu, dedicado em exclusivo ao vinho rosé.

Olhando alguns anos para trás da pandemia, e se excluirmos o caso muito particular das Caves do Vinho do Porto, o Enoturismo, enquanto atividade que ganhou algum relevo nacional, teve o seu “epicentro” na região do Douro.

Foi nesta região que começaram a surgir alguns operadores com propostas de estadias, provas de vinhos e outros serviços de turismo associados (programas de vindimas, passeios de bicicleta, etc.).

Incluíam-se nesses casos “pioneiros” a Quinta Nova da Nossa Senhora do Carmo, a Quinta do Vallado, a Real Companhia Velha entre outros de maior ou menor dimensão. No entanto, foi com a inusitada proposta da Quinta da Pacheca, de oferecer estadias em quartos feitos no interior de barricas de vinho, que a região começou a chamar à atenção para fora do sector e se tornou mais mediática.

Essa inovação, do formato do espaço para estadia, valeu inclusivamente à Quinta da Pacheca o prémio Best of Wine Tourism, na categoria específica da Acomodação em 2015.

O ano passado a empresa voltou a ganhar esse prémio, mas desta vez na categoria “Experiência Inovadoras de Enoturismo”, sendo um dos principais contributos para esse prémio o “Vineyard Spa”.

Uma última novidade a norte surge pelas mãos da Sandeman, com o Sandeman Stage a deslocar-se, no próximo mês de setembro, de Gaia (onde já era possível assistir a concertos gratuitos) para a Quinta do Seixo.

Fonte: Marketing de Vinhos (https://marketingvinhos.com/2021/08/06/douro-vai-ser-palco-de-musica-e-cinema/)

Para além de concertos ao ar livre será ainda possível assistir a sessões de cinema com as vinhas e o Douro a servirem como “sala”.

Esta ligação das marcas (e em particular da Sandeman) às artes já não é recente, não podendo por isso ser considerado como inovador. Mas juntar-lhe a isso a região demarcada mais antiga do Mundo como panorama para estas iniciativas, é algo que começámos a ver muito recentemente e que mostra que os agentes do setor procuram cada vez mais dinamizar as suas atividades de Enoturismo com ligações que tragam mais valor e potenciem o interesse dos visitantes, sejam eles nacionais ou internacionais.

2021 vai ser um ano de recuperação daquilo que se perdeu em 2020, mas ainda não será seguramente o ano de sequência do período positivo que se vivia até 2019. Talvez seja necessário esperar por 2023 ou até 2024 para conseguirmos chegar, em termos de número de visitantes, ao que tínhamos antes da pandemia, mas de uma coisa julgo que podemos estar todos seguros, vamos estar cada vez melhor preparados e com excelentes ofertas para quem nos quiser visitar, seja já em 2021 ou apenas em 2024 (nessa altura melhores ainda, certamente).  

Inovadoramente vosso,

Ildefonso Martins

Director de Inovação e Estratégia da Aveleda

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