Novinho em Folha opinião

“Sai uma cápsula de Mojito para a mesa 12!”

No artigo de maio, do "Novinho em Folha", Ildefonso Martins traz-nos uma inovação, que "ameaça" tornar-se uma tendência. Será que num futuro (muito próximo), vamos beber vinho de cápsula?

Lembram-se quando há alguns anos atrás o George Clooney fez com que toda a gente quisesse ter uma Nespresso? (“What Else?”)

No início era uma excentricidade (“café que sai de uma cápsula, que heresia…”), depois de assimilado o conceito passou a ser visto como um luxo (“isso é só para gente com posses…”), no entanto, hoje não haverá uma casa portuguesa que não tenha a sua maquineta de cápsulas ao lado do frigorífico (ou duas, de tão baratas e práticas que elas se tornaram, e, porque uma faz galão e chás, mas a qualidade do café da outra é melhor…).

Imaginem agora o Leonardo di Caprio a tentar “vender-vos” cocktails que são tão simples de preparar como um café que sai das máquinas de cápsulas e com a consistência de qualidade que o Zé Manel, do vosso bar na baixa da cidade, não vos consegue garantir duas noites seguidas…

Já têm um espaço no balcão da cozinha para esta invenção? Preparem-nos, pois as “Nespresso dos Cocktails” poderão ser a próxima loucura de Natal daqui a poucos meses.

Basta olharmos para outras geografias:

No Brasil, a parceria entre a Whirlpool e a Ambev, levou à criação da máquina B. Blend, e já é uma realidade conseguir beber cocktails a partir de cápsulas tão práticas como as de café. Para já começaram com o que seria de esperar, a boa e bem brasileira Caipirinha:  

Fonte: https://embalagemmarca.com.br/2020/10/caipirinha-em-capsula-novidade-da-b-blend-e-da-sagatiba/

Este tipo de máquinas, que fazem bebidas (para além de café) a partir de cápsulas, não é propriamente uma novidade. Já há mais de uma década que a SodaStream se lançou no mercado com bebidas obtidas a partir de cápsulas. A particularidade está no facto de agora, há cerca de 2 ou 3 anos, começarem a surgir propostas de máquinas que preparam bebidas alcoólicas a partir de cápsulas.

Nos EUA a primeira que surgiu com algum destaque foi a DrinkWorks, uma parceria da Keurig com a AB Imbev (dona da Ambev do Brasil – estão a ver aqui um padrão?)

Sabendo que a AB Inbev, uma das maiores empresas cervejeiras do mundo está por detrás destes dois lançamentos: B Blend e DrinkWorks, é muito provável que em breve, para além de cocktails, também as cervejas possam ser servidas a partir de cápsulas.

E já não serão os primeiros a fazê-lo, pois a LG (sim, a empresa electrónica sul-coreana) divulgou há 2 anos um “concept product” chamado LG HomeBrew, que se propõe servir cervejas a partir de cápsulas.

O único senão, para além do espaço gigante que aparenta ocupar, é que o processo demora cerca de 15 dias, o que não é propriamente a mesma coisa que tirar um café em 10 segundos, ou um cocktail em 30…  

Fonte: https://www.lg.com/uk/lg-magazine/what-is-new/lg-homebrew-guide

A questão que nos devemos rapidamente colocar, nós da indústria do vinho, é:

“Quando chegará uma máquina que fará um Touriga Nacional a partir de uma cápsula?”

Sabendo que já há máquinas que fazem cafés, chás, água gaseificada, sumos, cocktails e outra que se prepara para fazer cervejas a partir de cápsulas, diria que não faltará muito tempo para a Touriga by Winexpresso… 

Mas a pergunta mais importante, porque a tecnologia só vingará se houver clientes, até será: 

“ O consumidor preferirá a conveniência de um “vinho processado” à qualidade que um “vinho convencional” oferece? ”

Gostaria de pensar que não, mas se olharmos para as vendas de BIB e de vinhos de mesa diria que haverá uma boa quantidade de clientes que terão interesse na conveniência e no rácio “euro por copo”.

Além disso, uma máquina com um design bonito que tanto nos tira um Chardonnay como um Castelão, em menos de um minuto, por escolhermos uma cápsula dourada ou vermelha rubi… ou até que nos permite fazer o nosso próprio blend juntando duas ou três cápsulas, é uma proposta que me parece ser cativante a muito bom consumidor de vinho.

Enquanto processamos o que isto poderá trazer de revolucionário para o sector, porque não pedimos ao Clooney para nos servir um copo de vinho tinto, para acompanhar esta reflexão?

Já o estou a ver a responder ao pedido: “What, Elsa? You want a red wine? Just do it, yourself!

Inovadoramente vosso,

Ildefonso Martins

Director de Inovação e Estratégia da Aveleda

A opinião expressa neste artigo é da responsabilidade apenas do autor e não vincula a entidade à qual ele se encontra contratualmente ligado.