Novinho em Folha opinião

10 Anos, é muito tempo…

No "Novinho em Folha" de março, Ildefonso Martins faz uma "viagem", celebrando 10 anos do seu percurso na Aveleda, e recordando insígnias que o marcaram, pelo caráter inovador.

… muitos dias, muitas horas a cantar!

No meu caso é mais a inovar, mas há que respeitar o clássico do artista Paulo de Carvalho (mais conhecido pelos Millennials como “o pai do Agir”), e fazer uma transcrição correta da obra.

Dez anos foi exactamente o tempo que fez no passado dia 1 de Março. Dez anos desde que entrei para a Aveleda, e para este mundo do vinho e das bebidas alcoólicas.

Apesar de serem mais de 3.650 dias que já passaram, às vezes parece que foi ontem, tão frescas são algumas memórias que guardo desses primeiros dias.  Ainda hoje me lembro perfeitamente de, numa das entrevistas de recrutamento, me terem colocado um questionário com uma série de perguntas, sendo uma delas “O Vinho Verde é… a) um tipo de vinho; b) uma cor de vinho; c) uma região de vinho” e eu ter respondido a primeira opção.

Assim que cheguei a casa fui pesquisar todas as questões e confirmei que os meus conhecimentos vínicos talvez não dessem para ser o escolhido para o lugar. Felizmente as pessoas que fizeram o recrutamento não foram da mesma opinião, e hoje aqui estou, a escrever uma rubrica sobre inovação nos vinhos e bebidas alcoólicas, numa prestigiada plataforma do setor.

Neste artigo queria aproveitar este cantinho de escrita para celebrar esta marca de 10 anos e fazer uma revisão às 10 inovações/lançamentos que mais me impressionaram, apaixonaram, desafiaram e/ou inspiraram nesta década que passou.

Espero que apreciem a viagem no tempo.

E deixo também uma menção honrosa para inovações que não vão encontrar no Top10, mas que ficaram muito próximo de figurar: Vinho Azul; Vinho com infusão de cannabis; Vinho com infusão de café; Prosecco Rosé. Talvez lhes dedique um espaço especial num futuro artigo.

Nº 1 – Fruits and Wine – Rosé Pamplemousse (França) / Bebida Aromatizada à Base de Vinho

Fonte: https://www.rayon-boissons.com/vins-et-champagnes/fruits-and-

Mal entrei para a Aveleda uma das primeiras viagens que fiz foi a França, onde há uma grande comunidade de emigrantes, o que faz do mercado um dos principais importadores de vinho português, e por isso uma passagem quase obrigatória para quem quer conhecer mercados de exportação onde a Portugalidade é o foco.

Foi nessa viagem que reparei, numa visita aos supermercados, numa prateleira muito colorida no linear dos vinhos, que contrastava com uma série de corredores cheios de rótulos brancos e pretos, oriundos de Bordéus ou da Borgonha.

Esta prateleira era muito diferente, e pertencia a uma marca que dava pelo nome de “Fruits and Wine”, uma bebida que era uma mistura de vinho rosé com aroma de toranja. A diferença despertou-me a curiosidade, e intrigou-me como poderia um país tão conservador como a França ter uma bebida tão distante do tradicional vinho assim com tamanha exposição no supermercado? E ainda para mais com um nome em inglês…

Percebi mais tarde que este Fruits ans Wine tinha sido um sucesso no verão anterior, e numa 2ª viagem a Paris encontrei mais concorrentes, como a marca Very. Passados mais uns meses acompanhei o sucesso do lançamento do Echo Falls Fruit Fusion no Reino Unido, e comecei a investigar mais sobre o tema, até me aperceber que aquilo que parecia muito inovador e arrojado era afinal algo que os americanos já faziam há décadas com marcas como Arbor Mist ou Bartles & Jaymes (B&J), que não colhiam as melhores reações dos críticos de vinhos. Só que aquilo que era visto pelas pessoas da área como “xaropadas”, era algo que conquistava os consumidores. O que me intrigou ainda mais…

Dos vários projetos que surgiram desta inspiração alguns ficaram pelo caminho, mas um deles ganhou vida, na forma das Sangrias de Casal Garcia. E se no início haveria algum receio por juntarmos ao clássico Vinho Verde um produto por vezes considerado menor no que à Ordem do vinho diz respeito, hoje em dia a nossa gama de Sangrias é algo que já faz parte daquilo que é a personalidade da marca, e nada diz melhor Haja Alegria, Haja Casal Garcia”, do que um copo de Sangria.

Nº 2 – Hugo (Alemanha-Prowein) / Cocktail Vínico

Fonte: http://eurofluence.com/en/the-hugo-cocktail/

Quem entrou há menos de dois anos no sector ainda não teve o privilégio de visitar ou de trabalhar numa Prowein. A edição do ano passado foi adiada e a deste ano, que seria a do ano passado, foi, entretanto, cancelada… Esperemos que a de 2022 não siga pelo mesmo caminho.

Considero-me um sortudo no que à Prowein diz respeito. Em vez de passar horas em pé a dar a provar os nossos vinhos ou em reuniões intermináveis com atuais e potenciais clientes, tenho “carta branca” da Administração para explorar a feira. Neste certame é como se os corredores de vinho dos supermercados de vários países de exportação se juntassem todos num único local, e numa só visita podemos ir até à América (do Norte e do Sul), dar um salto à Alemanha ou fazer um desvio até França, Itália ou Espanha, e tudo isto à distância de poucos metros, que ao fim do dia se transformam em Kms, e muitos (num dos anos o meu telemóvel mediu mais de 10km de caminhada num só dia)!

Mas devo dizer-vos que são dos kms que, a nível profissional, mais gozo me dão fazer ao longo do ano.

Foi na minha primeira visita à Prowein, já em 2012 ou 2013, que me deram a provar, no pavilhão da Alemanha, no stand da Peter Mertes, uma bebida com um nome peculiar: “Hugo”. Para quem não conhece, o Hugo é um cocktail vínico gaseificado com sabor a flor de Sabugueiro. Fiquei fã ao primeiro gole, e eu nem sabia que gostava de flor de sabugueiro. Precisei no entanto de confirmar que não se tratava de um caso isolado com a primeira prova, por isso passei pelo stand da Mionetto, que também tinha uma versão Hugo, e confirmei ao segundo teste que tinha encontrado o meu cocktail vínico de eleição.

Hoje em dia começamos a ver os cocktails vínicos a terem alguma expressão numa série de países, inclusive em Portugal, mas neste caso os alemães já nos levam alguns anos de avanço. Nisso e nos espumantes sem álcool, mas isso era conversa para outro tópico…

Nº 3 – Somersby (Portugal) / Sidra

Fonte: https://www.hipersuper.pt/2011/05/31/unicer-lanca-nova-bebid

Reza a história que a Somersby foi lançada em 2011 em Portugal, apenas no canal Horeca, e que somente mais tarde entrou em força no retalho. No início parecia uma aposta algo estranha de uma empresa de cervejas, a de “desviar” consumidores para uma outra categoria, com uma marca que nem era portuguesa… quem iria trocar a sua Super Bock ou Sagres por uma Somersby? Aparentemente toda a malta que queria parecer cool no início da década de 2010. 😊

A sidra não foi propriamente uma inovação nacional, limitamo-nos a acompanhar o que acontecia noutros mercados europeus onde a categoria estava já a atingir a maturidade, com principal preponderância no Reino Unido.

No entanto, não deixou de ser impressionante a força com que a Somersby pegou em Portugal, levando a que muitas pessoas não pedissem a bebida pelo nome da categoria (“sidra”), mas sim pelo nome da marca (“Somersby”). Só ao nível de grandes marcas, como Gillette, Kispo ou Jeep. E mais impressionante foi porque poucos anos antes a Unicer (agora Super Bock Group) já tinha tentado movimento igual, com a não tão afamada Decider.

Os números das vendas acabariam por dar razão à Unicer e em poucos anos criou-se em Portugal uma categoria nova nas bebidas alcoólicas.  As sidras ganharam espaço de destaque nos supermercados e vários concorrentes emergiram para disputar a liderança, sem nunca conseguirem atingir o mesmo nível que a Somersby alcançou.

Nº 4 – White Claw (EUA) / Hard Seltzer

Fonte: https://www.wsj.com/articles/white-claw-summer-no-laws-115683977

White Claw é o líder de mercado da categoria Hard Seltzer nos EUA. Muitos de vocês estarão agora a perguntar-se “Hard quê?”

Hard Seltzer, se quisermos simplificar muito o conceito, não é mais do que água com gás com aromas e álcool. Dito assim parece simples, mas ao início essa mesma simplicidade deixa-nos algo confusos… Mas então podemos juntar água e álcool? E haverá consumidores que quererão beber isso?

Este tipo de bebida é visto com muito bons olhos pelos consumidores americanos que se posicionam no eixo de “Health & Wellness”, e que nesse mercado são em número cada vez maior.

Com os Hard Seltzers eles conseguem ter acesso a uma bebida com um baixo teor alcoólico, reduzidas calorias e açúcares, não prescindindo do sabor que lhes é dado pelos aromas.  

O que me impressionou mais em White Claw nem foi tanto o sabor em si, que não me convenceu por aí além (pelo menos na versão que experimentei), foi mesmo a capacidade que uma empresa que não pertencia a uma gigante das cervejeiras criar uma categoria que hoje começa a ameaçar a posição das cervejas junto dos consumidores mais jovens.

Nº 5 – Seedlip (UK) / Espirituosa sem Álcool

Fonte: https://www.campaignlive.co.uk/article/seedlip-diageo-created-successful-booze-free-spirit/143563

Esta foi daquelas inovações que provavelmente marcou um ponto de viragem no sector. Se nas cervejas começava a ser comum ver versões sem álcool das grandes marcas, nas bebidas espirituosas elas eram inexistentes (ou sem expressão).

Seedlip surge da ideia de um empreendedor inglês, que não vendo nas principais marcas de bebidas espirituosas uma oferta que correspondesse à sua necessidade decidiu ele próprio criar essa opção, uma bebida espirituosa sem álcool.

O conceito foi revolucionário (o sabor na minha opinião não acompanha, mas aí entramos numa questão de gosto pessoal). Tão revolucionário que a Diageo se chegou à frente e adquiriu parte da empresa. Para poucos meses depois passou a deter a maioria do capital.

Numa época em que movimentos como o “Dry January” começam a ter algum impacto a nível de vendas, e deixam de ser vistos só como uma excentricidade, Seedlip veio apontar um possível caminho. Veremos se daqui por uns anos ao lado de Jack Daniels ou de Smirnoff não passaremos a ver também uma versão “Zero” dessas bebidas.

Nº 6 – 19 Crimes (Austrália) / Vinho

Fonte: https://www.forbes.com/sites/zarastone/2017/12/12/19-crimes-wine-is-an-amazing-example-of-adult-targeted-augmented-reality/?sh=e2c66c47de31

Esta marca de vinho australiano é uma referência para mim.

De várias grandes marcas de vinho que existem no mundo 19 Crimes, na minha opinião, estará no Top3 das “marcas” de vinho (em disputa com Yellow Tail, Barefoot ou Casillero del Diablo), que melhor souberam construir o seu caminho até ao topo.  

Começa, como tudo deve ser, pelo conceito (depois de estudado o consumidor). Ter um vinho da Austrália a falar de prisioneiros ingleses que foram extraditados para aquele país por cometerem um dos 19 crimes cuja punição pela Rainha de Inglaterra era uma viagem até aos antípodas, é algo que só por si já nos leva a querer saber mais sobre o vinho.  

Depois juntaram-lhe algo que até então tinha sido pouco explorado, e que foi motivo para muitas horas de Buzz e, com ele, muita publicidade grátis em reportagens e nas redes sociais: Realidade Aumentada

Inovaram também na forma como intitularam algumas das suas garrafas. Os seus vinhos não são blends ou monocastas, são “The Banished”, “The Uprising”, “The Deported”.

Foram ainda ao detalhe de criar 19 rolhas, uma para cada um dos crimes, e espalhá-las aleatoriamente pelas suas garrafas de vinho.

Se alguém se está a preparar para lançar uma nova marca de vinho é estudar 19 Crimes. Tem nele um autêntico “Manual de como criar uma marca em 5 anos”.

Nº 7 – Jack Daniels Tennessee Honey (EUA) / Whisky Aromatizado

Fonte: https://www.thespiritsbusiness.com/2014/06/jack-daniels-boosts-sales-for-owner-brown-forman

A tradição diz que no whiskey não se mexe.

Alguns aficionados argumentam que se deve adicionar umas gotinhas de água mineral para que o néctar possa ser degustado na sua plenitude, e uns cientistas vieram dizer que se deve “encharcar” em água.

Eu sou mais adepto de marcas como Jack Daniels, que não se preocupam muito com o que a tradição, os aficionados ou os cientistas dizem para criar bebidas que vão de encontro ao gosto dos consumidores.

Arriscaram em 2011 com o lançamento de Jack Daniels Tennessee Honey, um whiskey ao qual se adicionava licor de mel para lhe dar um sabor mais adocicado. A estratégia terá compensado, pois alguns anos mais tarde surgiram o Tennessee Fire e depois o Tennessee Apple.

Alguma coisa terá funcionado bem nesta tentativa de suavizar o néctar, e criar versões aromatizadas de um clássico, para o tornar mais apelativo a novos consumidores, tendencialmente mais jovens. E terá funcionado tão bem que a marca atingiu a barreira de 1Milhão de garrafas vendidas do Tennessee Honey em menos de 5 anos.

Agora pensem nisto, haverá muitas mais marcas com o peso da história e a tradição que Jack Daniels tem, e que por causa desse passado não possam arriscar lançando versões que se adaptem ao gosto de novos tipos de consumidores?

Nº 8 – Sofia by Coppola (EUA) / Vinho em Lata

Fonte: https://www.nbcnews.com/id/wbna5114468

Vi as latas cor-de-rosa de Sofia numa das minhas primeiras viagens aos EUA, em 2013, mas talvez por já estar há alguns tempo no sector pensei para comigo “Lá está o Coppola a fazer coisas extravagantes de artista do cinema… vinho em lata? Quem vai querer beber vinho de uma lata? Isto não é cerveja ou sumo…”.

Ao pesquisar a história do produto, para escrever sobre ele para este artigo, pois terá sido o impulsionador de uma tendência crescente de consumo de vinho em lata, apercebi-me que o lançamento das latas de Sofia já tem quase 20 anos, e por isso o senhor Francis Ford Coppola foi mais do que extravagante, foi mesmo um visionário.

Hoje em dia poucos tópicos são mais “trendy” do que vinho em lata nos EUA. Este tipo de embalagem cresce há vários anos a dois dígitos no mercado, e esta performance começa a “extravasar” para outras geografias.

E aquilo que em 2013 eram pouco mais de uma dezena de latas de 2 ou 3 produtores num canto virou em meia dúzia de anos em muitas prateleiras de centenas de latas de várias dezenas de produtores. 

Marcas como Underwood, House Wine, ou Barefoot cavalgaram a onda do “Wine in Can” e hoje vendem muitos mais litros que Sofia, mas se não tivesse sido esta ideia “louca” de um realizador de cinema que tem como paixão fazer vinho, talvez não estivéssemos a assistir a este fenómeno no mundo vínico.

Nº 9 – 1000 Stories (EUA) / Vinho com Estágio em Barricas de Whiskey

Fonte: https://wineindustryadvisor.com/2018/02/13/1000-stories-success-expanded-offerings

Uma das inovações mais irreverentes a que assisti nos últimos anos veio de uma prática corrente nos produtores americanos das décadas de 80, que não tinham acesso a barricas de qualidade de carvalho francês. Perante essa dificuldade esses produtores de vinho usavam barricas velhas de bourbon para estagiar os seus vinhos.

À medida que o sector se foi modernizando e profissionalizando esta prática caiu em desuso, até que um produtor Chileno (Concha Y Toro, através da sua filial Fetzer Vineyards nos EUA), resolveu recuperar a tradição, e lançar a marca 1000 Stories. O resto, como o nome indica, fez história.

Em pouco mais de 2 anos vários grandes produtores internacionais (sobretudo americanos e australianos) seguiram-lhe o exemplo, e a categoria de “Wine aged in spirit Barrel” cresceu sem precedentes.

Hoje em dia a marca Robert Mondavi Private Selection é de longe a líder da categoria, estando muito próximo do Top10 de vendas de vinhos tintos nos EUA.  

A veia inovadora dos produtores que se aventuraram neste caminho não se ficou pela ligação com o “Bourbon” e rapidamente surgiram também versões com estágio em tequila ou rum.

Dirigido a um consumidor predominantemente masculino, esta tipologia de vinho “pisca” o olho aos consumidores de bebidas espirituosas e tenta mostrar-lhes como é que o vinho ganha características que eles estão habituados a sentir nas suas espirituosas de eleição.

Poderíamos considerar esta criação como um “híbrido” e talvez também por aí se possa compreender o seu sucesso, pois num sector cada vez mais experimentalista e também mais influenciado por tendências de outras áreas, o cruzamento de dois tipos de bebida (vinho e espirituosas), tal como acontece com várias outras categorias de FMCG, é algo que se tem provado como atrativo para o consumidor.

Nº 10 – Letra (Portugal) / Cerveja Artesanal

Fonte: https://alumni.uminho.pt/pt/news/Paginas/Not%C3%ADcias%202015/Cerveja-Letra-.aspx

A última menção vai para Portugal, e surge com a Letra como “ponta de lança”, por ser, para mim, dos projetos mais consistentes e inovadores no que diz respeito às cervejas artesanais.  

Para além da sidra, com a Somersby, diria que em Portugal o panorama das bebidas alcoólicas na última década teve apenas mais dois momentos de forte agitação: o sucesso do Gin e o aparecimento das cervejas artesanais.

O Gin teve pouco impacto a nível de produção local, para além de uma ou outra marca nacional (ex: Sharish ou Big Boss), vive sobretudo das importações. Já a Cerveja Artesanal foi um fenómeno de norte a sul. Não deverá haver um distrito em Portugal que não tenha hoje uma empresa de cerveja artesanal a operar.

Mencionei a Letra para o título, mas de facto há muitos outros jogadores que poderiam merecer destaque neste jogo, como a Nortada, a Maldita, a Vadia, a Musa, os Dois Corvos, a Lindinha Lucas, entre muitos outros, tal tem sido a proliferação de entrantes na competição.  

No início eram só 4 ou 5 apaixonados por cerveja, dos quais se destacava a Sovina (entretanto adquirida pelo Esporão), até que o boom que a categoria teve noutros países (com os EUA à cabeça) conjugado com as dificuldades da crise financeira de 2008-2012, levou muitos empreendedores a verem na cerveja artesanal, para além de uma actividade que os preenchia em termos de satisfação pessoal, uma forma de obterem um rendimento (extra ou mesmo principal).

Com o aumento de produtores surgiram também os primeiros Festivais de Cerveja Artesanal (os famosos Beer Fest), quase sempre repletos de público (fui a alguns e as filas para as cervejas eram quase ao nível do que se tem em festivais de música no verão), e que assim foram alimentando o sucesso de alguns produtores. Daí até aos lineares de supermercado ou à criação de projetos de Turismo/Restauração associados à Cerveja Artesanal foi um pulinho. 

Apesar deste sucesso, é preciso relativizar e observar que as cervejas artesanais ainda não representam nem 10% do total de cerveja que é consumido em Portugal, e que continua a ser disputado por Sagres (Central de Cervejas) e Super Bock (Super Bock Group).

No entanto, é animador ver que começam, aos poucos, a aparecer algumas alternativas a estes gigantes, e que as opções de escolha para os consumidores são cada vez mais alargadas.

Inovadoramente vosso,

Ildefonso Martins

Diretor de Inovação e Estratégia da Aveleda

A opinião expressa neste artigo é da responsabilidade apenas do autor e não vincula a entidade à qual ele se encontra contratualmente ligado.