entrevista opinião

A nova loja online “PMC ao Domicílio” – entrevista a Pedro Castanheira

A pandemia acelerou a necessidade da PMC Wine & Food criar uma loja online, de forma a responder ao número de encomendas crescentes, que chegavam por via digital. Nesta entrevista Pedro Castanheira, o Diretor Executivo da empresa, fala-nos do propósito do projeto e dos desafios futuros.
Loja online “PMC ao Domicílio”

Na sequência do lançamento oficial da loja “PMC ao Domicílio“, o Marketing de Vinhos entrevistou Pedro Castanheira, o CEO da PMC Wine & Food. Nesta conversa, o timoneiro deste projeto, falou-nos da empresa que criou em 2014, como forma de apoiar os pequenos produtores, e dos desafios atuais e futuros do setor dos vinhos.

Pedro Castanheira, o CEO da PMC Wine & Food

1. Como nasceu a PMC Wine & Food, e qual a motivação para a criação da empresa?

A PMC Wine & Food foi fundada em 2014, seguindo como base a estima pelas iguarias portuguesas. O meu grande objetivo para a empresa sempre foi o de lançar Portugal no mundo e, ao mesmo tempo, prestar apoio a pequenos e médios produtores nacionais na comercialização e distribuição dos seus vinhos.

Começámos por apenas representar um pequeno leque de produtores nacionais, que foi crescendo com o tempo, até que tivemos também a oportunidade de criar as nossas marcas próprias e exclusivas, como é o caso da Malandra Reserva e Jaburu (colheita), ambos vinhos alentejanos.

2. Quantos produtores representam no momento? A tendência é para crescer?

Atualmente representamos 15 pequenos e médios produtores nacionais, de todas as regiões vínicas do país, desde Trás-os-Montes ao Algarve. Gostamos de proporcionar diversidade de perfis e de preços aos nossos clientes, e por isso vamos firmando parcerias com produtores sempre que se justifique.  

3. Quais são as maiores dificuldades que a empresa enfrentou (enfrenta) nesta época de pandemia? Como pensam ultrapassá-las?

Todos os setores sofreram um impacto com a pandemia e o nosso não foi, obviamente, excepção. Fomos todos apanhados desprevenidos e precisámos de arregaçar as mangas e trabalhar arduamente para, dentro do possível, reduzir este impacto negativo.

No nosso caso, adaptámos uma parte do website de forma a ser possível, através de um formulário, a encomenda de alguns dos vinhos do nosso portefólio. Todas as semanas colocávamos vinhos diferentes com promoções especiais, mas todo o trabalho de back-office de recebimento de encomendas, processamento, pedidos de pagamento, era feito manualmente e muito demorado.

Foi, de certa forma, a primeira versão da PMC ao Domicílio, um teste ao que viria a ser o projeto que estamos agora a lançar e que acreditamos ser um bom passo em direção à recuperação do nosso negócio nesta pandemia.

4. Qual a estratégia de marketing da PMC para enfrentar os novos desafios de comunicação? Quais as plataformas digitais que utilizam, e quais as mais relevantes para a vossa estratégia?

Apesar de agora se falar mais do digital e das suas vantagens, a PMC sempre esteve muito presente nas maiores redes sociais como o Facebook, Instagram e Linkedin, onde publicamos imensas informações sobre os nossos vinhos, produtores e ofertas especiais.

Em complemento, temos uma newsletter bimestral na qual os nossos subscritores recebem notícias da PMC e também algumas dicas úteis de dia a dia sempre relacionadas com vinho, além de que enviamos, claro, ofertas e descontos especiais para aqueles que já nos são fiéis.

A nossa estratégia digital a nível de vendas mais propriamente ditas iniciou-se sim no auge da pandemia, como disse anteriormente, com a criação do formulário de encomendas no website.

A verdade é que devido a toda a gestão logística e número de encomendas rapidamente percebemos que precisávamos de evoluir e a criação de uma verdadeira loja online tornou-se evidente. Foi assim que surgiu a ideia da PMC ao Domicílio.

5. Relativamente à loja online a ser lançada, trata-se de uma alternativa aos meios tradicionais, ou é um complemento aos canais de venda já existentes? Esta loja vai comercializar que produtos/vinhos?

A PMC ao Domicílio será um complemento aos canais de venda que já temos como o El Corte Inglés e algumas garrafeiras na Grande Lisboa. É uma ideia nascida da pandemia e da necessidade de fazer chegar os produtos a casa dos nossos consumidores, em que pretendemos continuar a apostar.

Vamos arrancar com os best-sellers de cada produtor, mas o objetivo é incluir toda a gama de vinhos dos produtores e alguns vinhos mais especiais, aos quais iremos chamar “Raridades”: estamos a falar de colheitas mais antigas dos Arenae Ramisco e Arenae Malvasia de Colares, ou vinhos com procura mais acentuada como o Pêra Manca e o Barca Velha.  

6. Para finalizar, como é que olha para o futuro do setor dos vinhos, internamente e nos mercados externos?

O setor dos vinhos está a ajustar-se à nova realidade, tal como muitos outros setores, onde o digital, seja para promover marcas, seja para permitir vendas diretas, é urgente e fulcral.

Já muitas empresas, garrafeiras principalmente, apostavam nos canais digitais para reforçar as vendas. Agora chegou a vez de distribuidores e outros comerciantes deste produto, até mesmo os próprios produtores. O setor vai manter os canais habituais de venda, como restaurantes, hotéis, supermercados, garrafeiras, bares, etc., mas vai conciliar tudo isto com o e-commerce. Este já nem é o futuro, é o presente.

E no que diz respeito à prospeção na exportação, na impossibilidade das usuais viagens comerciais, feiras e outros eventos, vão ser cada vez mais “normais” as conferências via “zoom” (ou quaisquer outras aplicações) bem como recorrer a plataformas de apoio à exportação onde compradores internacionais têm acesso a uma montra digital de diversos produtos e podem selecionar o que procuram, muitas vezes sem o contacto direto com o representante da marca ou o produtor, infelizmente.