Bairrada distinção prémios

Bairrada tem ‘Cooperativa do Ano’ e ‘Produtor Revelação’ de 2019

Adega de Cantanhede e Luís Gomes foram os grandes vencedores da Bairrada.
Prémios Grandes Escolhas - Cooperativa do Ano - Adega de Cantanhede
Prémios Grandes Escolhas – Cooperativa do Ano – Adega de Cantanhede

Na sexta-feira, dia 14 de Fevereiro, a Bairrada voltou a ser palco do evento nacional ‘Prémios Grandes Escolhas’, que a revista com o mesmo nome realiza anualmente para galardoar os melhores do ano transacto.

Prémios Grandes Escolhas - Produtor Revelação - Luís Gomes
Prémios Grandes Escolhas – Produtor Revelação – Luís Gomes

O momento mais alto da noite acontece quando João Geirinhas e Luís Ramos Lopes, directores da Grandes Escolhas, anunciam os vencedores dos ‘Troféus Grandes Escolhas’.

Série Ímpar Sercialinho branco 2017
Série Ímpar Sercialinho branco 2017

Este ano, a Bairrada venceu em duas categorias: Cooperativa do Ano, para a Adega de Cantanhede, e Produtor Revelação, atribuído a Luís Gomes, dos vinhos GIZ.

Gene 2017
Gene 2017

Na icónica lista dos ‘Top 30 do Ano’ figuram três vinhos da Bairrada: o ‘Série Ímpar Sercialinho branco 2017’, uma estreia da Sogrape; e dois tintos, o ‘Gene 2017’, da Kompassus Vinhos; e o ‘Quinta das Bágeiras Pai Abel 2013’, de Mário Sérgio Alves Nuno.

Quinta das Bágeiras Pai Abel 2013
Quinta das Bágeiras Pai Abel 2013

Testemunhos da revista Grandes Escolhas sobre os grandes laureados da Bairrada:

Cooperativa do Ano: Adega de Cantanhede

Com quase 66 anos de idade, a Adega de Cantanhede continua no caminho que decidiu trilhar há alguns anos e que tão boa prova tem dado. Em 10 anos operou-se uma revolução em Cantanhede, a começar pela qualidade dos vinhos, reconhecida por muitos enófilos nacionais e internacionais.

É o maior operador da Bairrada, em termos de selos de certificação, atribuídos pela Comissão Vitivinícola da Bairrada. É também das adegas cooperativas financeiramente mais saudáveis do país. Há pouco mais de uma década, esteve à beira do precipício, tal como as suas congéneres da região, hoje todas ‘falecidas’. Mas, não só sobreviveu como passou para uma situação em que, quando começa a vindima, tem as contas saldadas do ano anterior. O seu presidente, Victor Damião, dizia-nos que, antes, para pedir dinheiro, “a adega tinha que ir aos bancos; hoje são os bancos que vêm à adega”. A folga financeira permite comprar novos equipamento e investir em projectos considerados de nicho, realizados com uvas ‘especiais’, algumas oriundas de videiras com um século ou mais. E permite investir na exportação, que representa hoje 35% da produção e tem aumentado sempre. Ser grande e financeiramente saudável são duas coisas muito boas num produtor de vinhos. Mas a parte que mais nos interessa, a nós enófilos, é a da qualidade dos vinhos. E, aqui, também Cantanhede se tem exibido a grande altura. Uma grande parte da responsabilidade cabe à equipa de viticultura, que todo ano aconselha uma centena de associados e está particularmente activa na, sempre crítica, altura das vindimas. Isto porque também a enologia assim o exige. À frente está o experiente Osvaldo Amado, mas, no dia-a-dia, os trabalhos são assegurados por Ivo Almeida. O resultado tem sido muito bom, proporcionando espumantes e vinhos tranquilos de belíssima qualidade, muito bem classificados ao longo de 2019 pela equipa de provas da Grandes Escolhas. Melhor os vinhos possuem quase sempre excelente relação preço/qualidade. Ser considerada a adega do ano é apenas por isso, uma consequência deste magnífico trabalho.

Produtor Revelação: Giz by Luís Gomes

Atrás deste nome lacónico está um projecto de pequena dimensão e de grande personalidade. O clima marítimo, o solo calcário, as vinhas centenárias da Bairrada e o talento de Luís Gomes deram origem a vinhos que não deixam ninguém indiferente. Luís possui actualmente 5 referências de Giz: branco, dois tintos e, lançados recentemente, rosé e espumante.

Dividindo o seu tempo entre as vinhas e a adega, Luís Gomes está na vanguarda da nova geração de produtores na Bairrada. Formado em Bioquímica pela Universidade de Coimbra, trocou o negócio bem-sucedido na área da sua formação pela vida incerta de um produtor de vinhos. Mas, antes, tirou o Mestrado em Viticultura e Enologia, ministrado em parceria pela FCTUP e ISA. Para Luís Gomes, obter conhecimento necessário antes de avançar para qualquer desafio sempre foi uma condição indispensável. Sendo de Coimbra, naturalmente, sentiu atracção pelas terras da Bairradinas. A pouco e pouco chegou a conhecer várias vinhas velhas da Região, muitas delas destinadas ao abandono. Conseguiu dar início ao projecto, arranjando 2 hectares de vinha centenária com predominância de Baga e Maria Gomes, repartida em 7 talhões. O solo, nesta zona da Bairrada, entre Mealhada e Cantanhede, é argilo-calcário, com prevalência evidente de calcário. Em algumas vinhas é só pedra branca, que protagonizou o nome da marca – Giz. Em 2018 lançou as suas primeiras colheitas – um branco de 2016 e dois tintos de 2015, sendo um deles só de uma vinha, alcançando o reconhecimento imediato por parte da comunidade vínica. Os tintos de 2016 foram ainda mais afinados e com um carácter mais distinto entre os dois. No final do ano passado surpreendeu com um sofisticado rosé, também de vinha velha, estagiado em barrica usada com bâttonage e um belíssimo espumante de Baga, com estágio sobre borras de 28 meses. A singularidade, pureza aromática e uso judicioso de madeira são as principais características dos vinhos Giz, deixando expressar a força e o encanto do terroir bairradino. 

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