Do Atlântico para o mundo

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O início do ano traz consigo uma nova entrada gastronómica na capital: o Attla, do chef André Fernandes, vem trazer novos mundos ao mundo. Cozinha atlântica, com muita fusão.

Um casal jovem, com muitas viagens na bagagem. Uma cozinha de fusão, profundamente autoral. Um chef e uma fotógrafa, numa viagem pelos sentidos do gosto. Eis, em poucas palavras, o espírito do Attla, o novo restaurante que abriu em dezembro em Alcântara, que serve pratos elaborados num ambiente intimista, descontraído e confortável.

No prato, estão, à vez, todos os sabores das viagens que André Fernandes, o chef, e Rita Chantre, fotógrafa, fizeram neste últimos anos. Está a Costa Rica, onde o casal viveu durante vários anos, e onde montou o seu negócio “Private Chef”, servindo jantares privados no meio da selva, em Tamarindo. Está a Tailândia, onde André trabalhou, no Ritz-Carlton. Estão as Caraíbas e a ilha de St Barthelemy, Bora Bora ou o Rio de Janeiro. E antes disso, está a França – muitos anos de dura aprendizagem num dos países mais seguros a nível gastronómico.

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De todo este cruzamento de culturas nasce a actual cozinha de André, um inspirado cruzamento de sabores e referências culturais, que se traduz em pratos deliciosos, que chegam invariavelmente limpos à cozinha. “Sirvo o que gosto de comer”, resume, de forma simples, André. “A minha cozinha é uma fusão do que aprendi e vivi nas minhas viagens, e que se traduzem em influências sem fronteiras”.

No regresso a Portugal, há um ano, para cumprir o sonho de abrir um restaurante em nome próprio, André e Rita optaram por um espaço em Alcântara – onde se sentam 25 comensais. Na base do Attla está a sazonalidade e a sustentabilidade, lição que o casal aprendeu na Costa Rica, onde descobriu o que é trabalhar com escassez de água. No Attla, a ementa muda de 15 em 15 dias, e os produtos chegam de pequenos produtores, próximos – de Torres Vedras, Peniche, Azeitão… – que dão a base para fazer “o que a natureza permite”. Tanto a carta de cocktails como a de cozinha seguem o objectivo do Zero Waste, numa cozinha marcada pelo sabor e pela originalidade.

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Sobre o chef André Fernandes e a fotógrafa Rita Chantre

Filho de pai angolano e mãe portuguesa, André Fernandes cedo tomou decisões ousadas e partiu à aventura. Aos 16 anos, decidiu sair da escola e rumou à Bretanha, em França, sem qualquer contacto feito. Foi bater à porta de restaurantes, pedindo trabalho. Começou numa crêperie, mas o destino levou-o ao único estrela Michelin da região, o La Mare Aux Oiseaux. Ali, fez de tudo: depenou faisões, matou enguias e perdizes, percorreu todos os degraus da cozinha. Aprendeu depressa. Quando se inscreveu no curso de hotelaria de St Nazère, já levava as aulas práticas de avanço.

Dizem que a sorte protege os audazes – mas as coincidências da vida levaram André a concretizar o sonho de trabalhar com Alain Ducasse, e logo no Plaza Athenée, em Paris. Ali ficou durante um ano e quatro meses, o que lhe deu uma espécie de “golden pass” para o futuro. Não é qualquer um que aos 18 anos, trabalha com Ducasse. “Foi uma escola do outro mundo”, afirma o chef.

Trabalhou ainda na prestigiada “La Maison Blanche”, dos irmãos Pourcell, onde ganhou tarimba a servir 400 refeições por dia, até que o bicho do nomadismo tornou a picá-lo e o levou até às Caraíbas. Mais precisamente, ao restaurante de luxo “Le Toiny”, da cadeia Relais & Chateaux. Aqui ficou oito meses, com muita liberdade criativa. Seguiu-se Paris, e depois Barcelona, onde trabalhou no ABAC, um dois estrelas Michelin dirigido pelo chef catalão Xavier Pellicer, e onde aprendeu especialmente a trabalhar com as brasas.

O chamamento das viagens tornou a soar, e André rumou a Bora Bora, até ao Ritz Four Seasons, onde esteve meio ano, e depois ao Rio de Janeiro, no Hotel Sta Teresa. A seguir, regressa a Portugal. Aqui conheceu Rita Chantre, a fotógrafa com quem viria a partilhar a vida e as próximas viagens. Após ter estagiado no Público e na Visão, e ter colaborado com a Time Out, com a Libération e o Courrier Internacional, Rita estava aberta a novos horizontes. Acompanhou André até à Tailândia, a Krabi, onde estiveram alguns meses, até tomarem balanço para uma viagem de três meses pela Tailândia, Vietname, Indonésia e Papua Ocidental.

A seguir, mudaram de continente. Chegaram à América Central para descobrir o Peru e a Costa Rica – e decidiram ali ficar a viver, perto de Tamarindo. Foi lá que montaram a sua última aventura gastronómica, o “private chef”, organizando jantares no meio da selva. Conheceram grandes constrangimentos, como a escassez total de água, o que lhes aguçou a consciência ambiental. Há cerca de um ano, as saudades de Portugal e a vontade de evoluír fizeram-nos regressar a casa. O Attla, o primeiro espaço de André Fernandes em nome próprio, serve gastronomia de alta cozinha, com simplicidade e um serviço intimista. A fusão de sabores e influências, nesta casa Atlântica que é do mundo, é porventura, a impressão mais duradoura que se leva daqui.

Informações relevantes:

Morada: R. Gilberto Rôla, nº 65, Lisboa

Horário: de quarta-feira a domingo, das 19h às 23h30

Telefone:  21 151 0555

Site: attlarestaurant.com

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